Estudo científico da UFF demonstra que radiofrequência vaginal é alternativa segura e eficaz aos hormônios para síndrome geniturinária
Você sofre com ressecamento vaginal, dor durante as relações sexuais ou problemas urinários após a menopausa?
Pois saiba que uma pesquisa científica conduzida pela Dra. Ana Ximena Zunino trouxe resultados promissores para milhões de mulheres.
Recentemente, a Dra. Ana Ximena, em colaboração com pesquisadores da Universidade Federal Fluminense (UFF), publicou um estudo pioneiro comparando dois tratamentos para a síndrome geniturinária da menopausa: radiofrequência fracionada microablativa e estriol tópico.

O que é a Síndrome Geniturinária da Menopausa?
Primeiramente, é importante entender que a síndrome geniturinária da menopausa (SGM) é uma condição que afeta até 84% das mulheres após a menopausa.
E Infelizmente, tende a piorar com o tempo se não for tratada adequadamente.
Os sintomas mais comuns incluem ressecamento vaginal, dor durante as relações sexuais (dispareunia), ardência ao urinar (disúria), urgência urinária, incontinência urinária e infecções recorrentes.
Surpreendentemente, aproximadamente 70% das mulheres afetadas permanecem sem tratamento ou desconhecem que existem terapias eficazes disponíveis.
A pesquisa da Dra. Ana Ximena: metodologia científica

O estudo conduzido pela Dra. Ana Ximena foi um ensaio clínico randomizado controlado – considerado o padrão-ouro da pesquisa médica.
O projeto foi aprovado pelo comitê de ética da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Participaram da pesquisa 30 mulheres pós-menopáusicas saudáveis com diagnóstico de síndrome geniturinária.
Todas eram sexualmente ativas e apresentavam critérios específicos para participação.
Nesse sentido, as participantes foram divididas aleatoriamente em dois grupos:
- Grupo radiofrequência: recebeu tratamento com radiofrequência mais creme placebo;
- Grupo estriol: recebeu estriol tópico mais radiofrequência simulada (placebo);
Ambos os grupos foram acompanhados por três meses, garantindo que nem as participantes nem os pesquisadores soubessem qual tratamento estava sendo aplicado (estudo duplo-cego).
Critérios rigorosos de participação
Para garantir a qualidade científica, o estudo estabeleceu critérios específicos de inclusão.
As participantes precisavam ter:
- Hormônio folículo-estimulante (FSH) acima de 40 mIU/mL;
- Estradiol abaixo de 25 pg/mL;
- Atrofia vulvovaginal comprovada (Índice de Saúde Vaginal ≤ 15);
- Exame de citologia cervical normal;
- Teste de HPV negativo
Por outro lado, foram excluídas mulheres que haviam usado recentemente terapias hormonais, lubrificantes ou hidratantes vaginais, assim como aquelas com infecções genitais ou outras condições específicas.
Como foram realizados os tratamentos

Tratamento com Radiofrequência
O grupo da radiofrequência recebeu três sessões do procedimento, uma por mês, com intervalos de 25 a 40 dias entre as aplicações.
Tratamento com Estriol
Já o tratamento tópico envolveu aplicação de estriol por 21 dias consecutivos, seguido por três aplicações semanais durante os três meses do estudo.
Principalmente, para manter o estudo cego, cremes placebo foram utilizados no mesmo esquema de aplicação, garantindo que as participantes não soubessem qual tratamento estavam recebendo.
Como foi medida a eficácia dos tratamentos
A eficácia foi avaliada através de três instrumentos científicos validados:
1. Índice de saúde vaginal (VHIS)
– Avalia umidade vaginal, volume de fluido, pH, elasticidade e integridade do epitélio
2. Índice de Função Sexual Feminina (FSFI)
– Mede desejo, excitação, lubrificação, orgasmo, satisfação e dor durante relações sexuais
3. Questionário Internacional de Incontinência – Forma Curta (ICIQ-SF)
– Avalia sintomas urinários e seu impacto na qualidade de vida
Igualmente importante, a segurança foi avaliada através de escala visual analógica para dor, inchaço e secreção.
Resultados cientificamente comprovados

Perfil das Participantes
A idade média das participantes foi de 56,33 anos (variando de 42 a 69 anos).
A idade média no início da menopausa foi de 44,70 anos, com tempo médio desde a menopausa de 10 anos.
Melhora na saúde vaginal
Ambos os tratamentos melhoraram significativamente o Índice de Saúde Vaginal (p \< 0,05).
Os resultados específicos foram:
Umidade vaginal:
– Radiofrequência: p \< 0,001
– Estriol: p = 0,002
Volume de fluido vaginal:
– Ambos os grupos: p \< 0,001
pH vaginal:
– Radiofrequência: p = 0,039
– Estriol: p \< 0,001
Elasticidade vaginal:
– Radiofrequência: p = 0,038
– Estriol: p \< 0,001
Integridade do epitélio:
– Ambos os grupos: p \< 0,001
Impacto na Função Sexual
O Índice de Função Sexual Feminina melhorou em ambos os grupos em todos os domínios avaliados.
Contudo, houve diferenças interessantes:
- Estriol mostrou maior melhora no desejo sexual (p \< 0,001);
- Radiofrequência apresentou melhores resultados em satisfação (p = 0,002) e redução da dor durante relações sexuais (p = 0,003)
Melhora dos Sintomas Urinários
As queixas urinárias diminuíram significativamente em ambos os grupos:
Grupo estriol:
– Escore mediano do ICIQ-SF reduziu de 6,00 para 3,00 (p = 0,012)
Grupo radiofrequência:
– Escore mediano do ICIQ-SF reduziu de 6,00 para 0,00 (p = 0,005)
Perfil de segurança dos tratamentos
Principalmente, não ocorreram efeitos adversos graves em nenhum dos grupos.
O grupo da radiofrequência experimentou dor leve, principalmente próximo ao introito vaginal, mas essa foi bem tolerada pelas participantes.
O que estes resultados significam para você
Com base nestes achados científicos, a pesquisa da Dra. Ana Ximena demonstra que:
1. Ambos os tratamentos são eficazes
– Tanto a radiofrequência quanto o estriol melhoram significativamente os sintomas da síndrome geniturinária da menopausa
2. Radiofrequência é alternativa não hormonal
– Para mulheres que não podem ou não desejam usar terapia hormonal, a radiofrequência oferece uma opção segura e eficaz
3. Perfis de melhora diferentes
– Estriol pode ser melhor para desejo sexual
– Radiofrequência pode ser superior para satisfação sexual e redução da dor
4. Segurança comprovada
– Ambos os tratamentos apresentaram perfil de segurança adequado
Limitações do estudo
Conforme reconhecido pelos próprios pesquisadores, este foi um estudo piloto com amostra pequena de 30 pacientes.
Os resultados são preliminares e necessitam replicação em populações maiores e mais diversas, com períodos de acompanhamento mais longos para avaliar durabilidade e segurança.
Implicações para a prática clínica
Estes resultados são particularmente relevantes considerando que muitas mulheres têm contraindicações ou preferem evitar terapia hormonal.
A radiofrequência fracionada microablativa emerge como uma alternativa promissora não hormonal.
Publicação e reconhecimento científico
Esta pesquisa foi publicada na prestigiosa revista International Journal of Gynecology & Obstetrics, demonstrando o rigor científico e a importância dos achados para a comunidade médica internacional.

Conclusões da pesquisa
Conforme concluído pelos pesquisadores, incluindo a Dra. Ana Ximena: “A radiofrequência fracionada microablativa e o estriol tópico são ambos eficazes e seguros para alívio dos sintomas da síndrome geniturinária da menopausa. A radiofrequência oferece uma alternativa não hormonal promissora, especialmente para mulheres que não podem ou escolhem não usar terapia hormonal.”
Agende sua consulta
Obrigado por acompanhar os resultados desta importante pesquisa!
Se você apresenta sintomas de síndrome geniturinária da menopausa, não hesite em agendar consulta com a Dra. Ana Ximena Zunino para discussão das melhores opções terapêuticas para seu caso específico.
Lembre-se: esta pesquisa comprova cientificamente que existem tratamentos eficazes disponíveis.
Você não precisa sofrer em silêncio.
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*Artigo baseado integralmente na pesquisa científica: Torre PdA, Fialho SCAV, do Val Guimarães ICC, et al. Efficacy and safety of fractional microablative radiofrequency versus topical estriol in treating genitourinary syndrome of menopause: A pilot study. Int J Gynecol Obstet. 2025;00:1-4. doi:10.1002/ijgo.70563*
