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Tomei a vacina do HPV: ainda preciso fazer o preventivo?

Mariana tomou a vacina aos 13 anos, na escola, ao lado das colegas.

Naquele momento, sentiu a tranquilidade de quem estava fazendo a escolha certa — e, com o passar dos anos, essa sensação se transformou em uma certeza silenciosa: “Estou vacinada. Estou protegida.”

Por isso, aos 28 anos, quando fez o primeiro preventivo e recebeu um resultado alterado, o susto veio acompanhado de uma dúvida difícil de ignorar: “Mas como isso é possível?”

Essa cena é mais comum do que muita gente imagina nos consultórios ginecológicos.

E ela expõe um mal-entendido perigoso: a vacina contra o HPV representa um avanço enorme na prevenção, mas não elimina a necessidade de acompanhamento ginecológico.

Em outras palavras, a vacina é fundamental — mas não substitui o cuidado contínuo.

A seguir, iremos te explicar de forma clara e acolhedora, o que a vacina realmente protege, por que o preventivo continua sendo indispensável e o que muda com a nova estratégia de rastreamento do câncer do colo do útero no Brasil.

O que a vacina do HPV realmente protege

Antes de qualquer coisa, é importante deixar claro: a vacina contra o HPV é altamente

eficaz e segura. Tomá-la é uma das decisões mais inteligentes que uma mulher pode tomar

pela própria saúde.

Mas ela tem um alcance específico — e entender esse alcance faz toda a diferença.

A vacina quadrivalente, disponível gratuitamente no SUS, protege contra quatro tipos

de HPV: 6, 11, 16 e 18.

Os tipos 16 e 18 são responsáveis por cerca de 70% dos casos de câncer do colo do útero. Os tipos 6 e 11 causam a maioria das verrugas genitais.

Já a vacina nonavalente, disponível na rede particular, amplia essa cobertura para

nove tipos de HPV — chegando a até 90% de proteção contra o câncer do colo do útero.

O problema é que existem mais de 120 tipos de HPV, sendo 12 deles classificados como de alto risco para o desenvolvimento de câncer.

Ou seja: mesmo vacinada, a mulher ainda pode ser infectada pelos tipos que a vacina não cobre.

Quem já teve HPV ainda deve tomar a vacina?

Sim. A vacina continua sendo recomendada mesmo para quem já teve HPV, pois ela protege

contra os tipos com os quais a pessoa ainda não teve contato.

Consulte seu ginecologista para avaliar o melhor momento.

Por que o preventivo continua sendo indispensável

Aqui está a distinção mais importante deste artigo — e a que mais gera confusão.

A vacina e o preventivo têm funções completamente diferentes. Uma não substitui a outra.

A vacina age de forma profilática: ela prepara o sistema imunológico para combater o vírus antes que a infecção aconteça.

O preventivo, por sua vez, detecta o que já está

acontecendo no organismo — lesões precoces que ainda não causam nenhum sintoma.

Conforme confirma o Ministério da Saúde,

a vacina não previne infecções por todos os tipos de HPV.

Por isso, o exame preventivo continua sendo essencial para todas as mulheres — vacinadas ou não.

Existem situações em que manter o preventivo em dia é especialmente importante:

  • Mulheres vacinadas com a quadrivalente (SUS), que não cobre todos os tipos de alto risco;
  • Mulheres que tomaram a vacina após o início da vida sexual, quando já pode ter havido contato com o vírus;
  • Mulheres que já tiveram HPV anteriormente;
  • Mulheres com histórico familiar de câncer do colo do útero

Em todos esses casos — e na verdade em todos os casos —, o acompanhamento ginecológico

regular é insubstituível.

A novidade que vai mudar tudo — o teste DNA-HPV no SUS

Se você ainda não ouviu falar nisso, preste atenção: o Brasil está passando por uma das maiores mudanças na saúde preventiva feminina das últimas décadas.

O SUS está substituindo gradualmente o Papanicolau pelo teste molecular DNA-HPV, e o Ministério da Saúde prevê expandir a implementação para todo o país até o fim de 2026.

O novo exame detecta diretamente 14 genótipos do HPV de alto risco no material coletado — antes mesmo de qualquer lesão aparecer. É mais sensível, mais preciso e mais eficaz do que o Papanicolau convencional.

Segundo a Agência Brasil, as vantagens do DNA-HPV em relação ao Papanicolau são significativas:

  • Detecta o vírus antes das lesões aparecerem;
  • É mais sensível e preciso no diagnóstico;
  • O intervalo entre exames passa de 3 para 5 anos;
  • Causa menos desconforto na coleta

No entanto, a transição é gradual.

Isso significa que, enquanto o DNA-HPV não está disponível na sua cidade, o Papanicolau continua sendo essencial e deve ser mantido.

Não espere a novidade chegar para cuidar da saúde. O exame que existe hoje já salva vidas.

O que fazer na prática – vacina, preventivo e acompanhamento

Chega de teoria. Veja o que toda mulher deve fazer para estar verdadeiramente protegida:

Tomar a vacina — de preferência antes do início da vida sexual, mas ela continua sendo recomendada em outras fases também;

Manter os exames preventivos em dia, independentemente de ser vacinada — Papanicolau ou DNA-HPV, conforme a disponibilidade na sua região;

Perguntar ao ginecologista se o teste DNA-HPV já está disponível na sua cidade;

Não esperar sintomas para ir ao médico — o HPV raramente avisa antes de causar dano

A proteção completa contra o HPV e o câncer do colo do útero está em um tripé simples: vacina + preventivo + acompanhamento ginecológico regular.

Nenhum dos três funciona sozinho.

Os três juntos formam o escudo mais eficaz que

a medicina tem a oferecer hoje.

Conclusão

Lembra da Mariana de 13 anos, que tomou a vacina na escola achando que estava

completamente protegida?

Ela fez certo ao se vacinar. Mas a história não termina ali.

A vacina é o começo — não o fim.

Ela reduz de forma expressiva o risco de infecção pelos tipos mais perigosos do HPV.

Mas sozinha, sem o preventivo e sem o acompanhamento ginecológico, deixa janelas abertas que o câncer pode usar.

A boa notícia é que nunca foi tão fácil se proteger.

A vacina está disponível gratuitamente no SUS, um novo exame mais eficaz está chegando ao sistema público e o ginecologista está pronto para te orientar em cada etapa.

Cuide da sua saúde antes que o problema apareça. Esse é sempre o melhor momento.

E não se esqueça, A Dra. Ana Ximena está aqui para te ajudar em cada passo desse cuidado.

Agende sua consulta agora mesmo e garanta que vacina, preventivo e acompanhamento estejam todos em dia.

E se você gostou deste conteúdo? Continue acompanhando o blog da Dra. Ana Ximena para mais informações sobre saúde da mulher, com linguagem clara, empatia e respaldo científico.

Até a próxima!

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